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Bom, me chamo Leonardo, tenho 21 anos, tenho distrofia muscular, eu escrevo com o intuito de poder de alguma maneira poder passar alguma mensagem positiva do que ja vivi e o que vivo diariamente. Escrever aqui me ajuda muito, espero que o que escrevo ajude quem lê também.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

22 anos

Estava querendo escrever algo aqui no dia do meu aniversário... Bem no fim se passaram uns dias e não escrevi nada. Bom hoje resolvi escrever algo sobre eu ter feito 22 anos de idade, no dia 13 de abril...
Bom, primeiro essa idade é importante pra mim pois, quando eu tinha uns 13 ou 14 anos que foi a época que eu e minha família estávamos descobrindo o que era a Distrofia muscular, começamos de fato saber o que eu tinha. Bom, foi uma luta pra saber o que de fato eu tinha, até então muitos médicos diziam que a fraqueza que eu demonstrava era " frescura de filho único" na época a Distrofia muscular era uma doença ainda mais rara do que é hoje, enfrentamos muitos médicos ignorantes, até que finalmente uma médica de um posto de saúde desconfiou do que era e aí que começou nossa luta de ir atrás de mais e mais médicos especializados em genética, um tempo passou eles desconfiavam entre duas distrofias a Duchenne ou a Becker( que é a que eu tenho). Enfim, teve esse médico que disse algo que por muito tempo vinha me atormentando, não só eu mas minha família também.
O que ele disse foi nessas exatas palavras" Quanto tu chegar aos vinte anos, tu ja vai estar na cadeia de rodas e tua vida vai acabar". Depois de dizer esse ele saiu do consultório por algumas instantes, eu na idade que tinha não sabia o que dizer e quando olho pro lado está ali, minha mãe se segurando pra não chorar na minha frente.... Por muito tempo achei que aquelas palavras se tornariam verdade... Hoje aos vinte dois anos paro e penso, realmente ele acertou eu fui parar de fato na cadeira de rodas aos 20 anos, mas não! Minha vida não acabou! E digo ela está cada vez melhor, sabe por que? Porque eu consegui me aceitar do jeito que sou, aceitar que nem tudo na vida são flores, que em certos momentos a gente simplesmente vai querer desistir de tudo, mas que não devemos abaixar a cabeça nunca, mesmo que tudo ao nossos redor diga isso... A primeira vez que sai de cadeira de rodas motorizada na rua, sozinho, me deu vontade de chorar pois percebi o quanto tudo era difícil, quando as pessoas começam a dizer coisas do tipo " por que ele quer sair?" " fica em casa" quando eu pego ônibus, me da ódio do mundo e ainda mais motivos pra largar tudo de mão, desistir de ser feliz. Mas não, eu não posso e nem vou fazer isso, pois a minha vida não acabou e nem vai acabar por causa de alguns obstáculos que eu acho pelo caminho.
Mas por que eu digo que minha vida não acabou depois da cadeira de rodas? Depois dela, eu aprendi a ser humilde com as pessoas, aprendi que vou encontrar muitas pessoas despostas a ajudar qualquer pessoa que precise de ajuda e que também existem pessoas que não estão nem aí se alguém precisa de ajuda, aprendi com as dificuldades a ser uma pessoa melhor e a viver cada momento. Ao longo dessa jornada também adquiri amigos incríveis.
Bom, acho que aquele médico estava errado, minha vida não acabou aos 20, não acabou aos 22 e nem vai acabar enquanto eu estiver vivo porque sempre aproveitarei todo momento ao máximo do jeito que me for possível.
Boa noite